terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Não temas não, que te lixas!






“Não temas, não temas” – diz o coxo ao cego, tentando livrar a ambos de um buraco que se segue. É a prosa da vida, comer ou ser comido, neste caso, andar ou ser engolido (por um grande buraco). Buracos, tentáculos, cordas, manobras – as tentações têm muitos nomes nestes tempos que correm.



As tentações são como o tempo, imprevisíveis e lixadas, e depois quem se trama é o carteiro, que para sua protecção só dispõe de uma fina capa de plástico ‘made in china’. Maldito sejas carteiro, que és quase sempre portador de más novas e de dívidas. Como se EU precisa-se disso. Mas o pior nas tentações é que estas frequentemente dispõem de memórias para picarem o presente de modo a que este se disponha a reviver o passado, e lá vai o pobre, iludido, e enganado, “os bons tempos voltaram!”. Maaaaas, é por isso que se chamam tentações, não só porque rimam com ilusões, mas também porque tudo o que é tentador é, igualmente, e normalmente, proibído (e habitualmente também, já salientei isso?) E é isso que as pessoas querem. Querem desejar o que não lhes diz respeito, fazem tanto por levar a cabo o desejo que, o que antes não lhes dizia respeito passa a ser inteiramente a respeito delas, das pessoas. E depois, quando o respeito já é sobre eles, estas pessoas sem respeito desrespeitam o que antes não lhes dizia respeito por já não quererem saber a respeito disso. Confuso? É a vidinha. Confusa, enfadonha e muitas das vezes o conto de fadas que ganhámos com muito suor e carinho é roubado ou trocado por tuta e meia às três pancadas,e pronto lá se foi tudo com o vento.



Vento vento, também ele é portador de más notícias. É o vento que nos traz o cheiro a perfume cuja fragrância nós não conhecemos vida do nosso homem (prestes a ser o nosso ex qualquer-coisa). Também é o vento que traz as tempestades, e que as leva consigo, como se estivesse a fazer uma visita guiada ao furacão Katrina e a outros pelos continentes terrestres. Esse é outro capitalista. Depois, para se desculpar que contribui para o ambiente, planta umas sementezitas aqui, e dá umas brisas ali, e depois pavoveia-se na nossa cara com o seu ar de “eu só faço coisas boas”, quando sabemos muito bem que não é assim.



E depois é nisto que ficamos, é nesta pasmaçeira que vamos vivendo e consequentemente, nos arrastando.



Ah, depois ainda há aqueles que se chamam artistas, e talvez com razão, porque fazem coisas que agradam ao olhar, seja andar de skate ou de trotinete, pintar ou pegar fogo ao cabelo, dançar ou fazer filmes com conteúdo duvidoso, e parecendo que não todas estas coisas vão sendo vistas e apreciadas, se bem que a meu ver algumas são bastante weird (estrangeirismos, outra lacuna na nossa sociedade, é isso e a palavra “soutien”. Enfim…) Mas essa chamada arte, ainda que bonita, não vale de muito aos artistas que acabam quase sempre por ter um parafuso a menos, seja por desgostos amorosos ou devido à pobreza, fome, fobias (cada vez há mais! ) ou apenas estupidez crónica. Claro que também existem depressões, e muita boa gente sofre disso, mas infelizmente também muita boa gente não admite que as tem, e vai continuando a dificultar a pasmaçeira que é a sua vida, aguçando a faca que lhes vai cravando a alma com as encruzilhadas perplexas que a mente pra lá inventa, só para chatear.



Por isso, e só em jeito de conclusão, dedico este texto cheio de nada e de coisa alguma a todos os depressivos e depressivas que lá vão vivendo, como eu, sem realmente terem algum remédio. Mundo, abraça-nos masé e corta nas tretas.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

2

Oh lágrimas, porque teimais em cair ?
Alma, não entendo porque te tornas pesada, e porque insistes em irracionalizar todos os meus pensamentos.
Que tormento este que me persegue, que arrasa qualquer intelectualidade que a minha boca profere. É decerto um destino de miseráveis, caminhos sombrios que o coração leva nas asas, caminhos repletos de pensamentos obscuros que fluem como rios.
Indago-me se algum dia a verdade chegará perto, ou se continuarei com uma esperança vazia, seca... como um deserto ?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010



Ai verão verão...
Pessoal, criei FINALMENTE um blog, para colocar em aberto as minhas ideias e consequentes atrofios. Boa leitura!
A fera: " Cada passo eu oiço, cada toque eu sinto, cada embaraço eu escondo, cada beijo eu desminto.Desminto sim, esta sensação que me dá prazer, um animal incontrolado que corre nas minhas veias, tenta, esforça-se para se libertar, emergir de mim, fazer parte de mim, FAZ parte de mim.Este ser que te busca incontrolavelmente,esta criatura que tem sede, sede dos teus beijos, tem, de ti, mil e um desejos.Inconsolavelmente corro. Debato-me com a fera que há em mim, aquela parte que eu tento esconder, deixar na sombra esquecida, mas não dá. Sentada ao luar, a fera observa-te, e espera pelos beijos que um dia lhe prometes-te eternos.Sim, a transformação é o resultado de um desejo que não foi em vão. "
"Não Sou Nada. Nunca Serei Nada. Não Posso Querer Ser Nada. À Parte disso tenho em Mim Todos os Sonhos do Mundo..." - Álvaro de Campos.